Pensar sobre a questão do gênero vai além da dicotomia masculino e feminino, vai além do ser homem e ser mulher.
Porque afinal, o que define o homem e o que define a mulher como seres distintos?
A resposta imediata parace simples se analisada no âmbito biológico: homem possui um pênis e mulher possui uma vagina (isso focando nas diferenças mais aparentes, que obviamente não se limitam aí).
Não haveria problema nessa classificação se focarmos apenas o campo da biologia, mas isso envolve também aspectos culturais e psicológicos de aceitação de sua própria sexualidade.
Por exemplo, existem pessoas que nascem com um pênis mas não se enquadram na categoria "homem". Desta forma, esta pessoa, se tiver condições e for de seu desejo, passa por uma transformação corporal para se adequar ao sexo oposto.
Mas existem também aqueles que, mesmo nessa situação de se ver num corpo do sexo oposto, não se submete à nenhuma transformação (e os motivos são divesos) e mesmo assim se vêem não incluídos no sexo que foi determinado pelo seu órgão genital.
A partir deste e de outros tantos diversos pontos, a classificação biológica em separado de outras visões sobre o corpo acaba sendo infundada.
Daí pra entrar na questão comportamental do sexo, a coisa fica mais explícita. Temos quase de forma ditatorial uma imposição de comportamentos diferentes para homens e mulheres.
Homens, por exemplo, quando nascem recebem tudo azul, ganham brinquedos como carrinhos e bonecos de luta, jogam jogos violentos, sua brincadeiras tem maior risco. Eles também não podem chorar, tem o cabelo curto, usam roupas largas.
Já as mulheres tem o quarto cor-de-rosa, brincam de barbies (que na maioria das vezes ditam um padrão de beleza a ser seguido) suas brincadeiras são uma preparação pra quando forem dona-de-casa (cozinha, louça, vassouras, etc) tem maior liberdade para chorar e demonstrar sentimentos (pois é o sexo frágil, não é mesmo?) usam roupas coloridas, mais justas, tem cabelo grande, etc.
Dessa forma, já desde o nascimento os meninos e meninas aprendem a se comportar de maneiras extintas, dicotômicas, ignorando-se o livre arbítrio de ser ou fazer o que for do seu comportamento, de sua vontade.
Da mesma forma, ignoramos os riscos desses padrões de comportamentos, onde prevale um preconceito gigantesco (que homem de cabelo grande nunca foi chamado de "menininha" [como se ser mulher fosse uma ofensa] da mesma forma quando demonstra uma maior sensibilidade pra demonstrar sentimentos. O mesmo ocorre com as mulheres que são menos sensíveis, possuem um visual não-feminino, etc.)
Os exemplos são variados, mas nota-se que essa imposição na maioria dos casos é uma abertura à várias formas de opressão, desrespeito e até mesmo violências (físicas ou verbais) principalmente por partes dos mais conservadores.
É importante refletir sobre este tema, pois todos nós (ou a maioria) fomos criados desta forma e temos introjetado esse tipo de percepção dicotômica que cabe a nós quebrar. Não estou aqui defendendo que temos que negar o nosso gênero, mas que temos que ser aquilo que nos deixa confortáveis e bem diante de nós mesmos, e sempre com uma dose de respeito àquele que subversivamente ignora essa imposição comportamental.
Vejo nessa questão um passo inicial à negação de um comportamento machista, patriarcal e violento. E porque não, uma passo à libertação do próprio ser enquanto ser, e não enquanto homens e mulheres socialmente / religiosamente / culturalmente pré destinado a ser quem é.